
Quando pensamos nos grandes avivamentos da história, normalmente lembramos dos pregadores. Lembramos de homens como George Whitefield e John Wesley, usados por Deus para proclamar o evangelho a multidões e despertar uma geração inteira. Mas existe uma pergunta que raramente fazemos: quem abriu as portas para que essas pessoas fossem ouvidas?
A resposta nos leva a uma mulher extraordinária chamada Selina Hastings, mais conhecida como Condessa de Huntingdon.
Selina nasceu em uma família da nobreza inglesa e poderia ter vivido uma vida confortável, desfrutando dos privilégios de sua posição social. No entanto, após sua conversão, passou a enxergar tudo o que possuía de uma forma diferente. Sua influência, seus relacionamentos, seus recursos e sua posição social não eram apenas privilégios, mas oportunidades para servir ao Reino de Deus.
Enquanto muitos utilizavam seus salões para entretenimento e encontros sociais, Selina os transformava em oportunidades para que pessoas ouvissem o evangelho. Ela convidava membros da aristocracia inglesa para jantares e reuniões em suas propriedades e, após os encontros, pregadores como George Whitefield anunciavam a Palavra de Deus aos convidados. Muitas pessoas da alta sociedade ouviram o evangelho pela primeira vez nesses ambientes.
Enquanto muitos púlpitos permaneciam fechados para os pregadores do avivamento, Selina abriu as portas de suas casas e, depois, de suas próprias capelas. Quando muitos criticavam o movimento, ela o apoiava. Quando faltavam oportunidades, ela as criava.
Mas seu envolvimento foi muito além disso. Ela financiou a construção de capelas, sustentou ministros, investiu recursos na proclamação do evangelho e ajudou a estabelecer uma ampla rede de capelas que levou o evangelho a diversas regiões da Inglaterra. Também compreendeu a importância de preparar novos obreiros e, em 1768, fundou o Trevecca College para formar ministros e investir na preparação de uma nova geração de líderes para o trabalho evangelístico.
Talvez seja exatamente por isso que sua história tenha tanto a ensinar aos promotores de missões.
Muitas vezes pensamos que mobilização missionária é apenas divulgar campanhas ou levantar ofertas. Mas mobilizar é muito mais do que isso. Mobilizar é abrir portas para que outras pessoas se envolvam. É conectar a igreja à missão de Deus. É criar oportunidades. É despertar vocacionados. É ajudar pessoas a enxergar o mundo pelos olhos de Deus.
Foi exatamente isso que Selina fez.
Ela não foi a pregadora mais famosa de sua geração. Não atravessou oceanos. Não liderou expedições missionárias. Mas ajudou a criar as condições para que o evangelho alcançasse milhares de pessoas. Enquanto outros estavam na linha de frente, ela trabalhava para que a linha de frente existisse.
Talvez essa seja a maior lição de sua vida. Nem todos terão o mesmo papel na missão.Alguns irão. Outros enviarão. Alguns pregarão. Outros abrirão portas. Alguns serão vistos. Outros trabalharão nos bastidores. Mas todos podem participar daquilo que Deus está fazendo no mundo.
A história de Selina Hastings nos lembra que Deus não usa apenas aqueles que anunciam a mensagem. Ele também usa aqueles que criam oportunidades para que a mensagem seja anunciada.
Porque, às vezes, mudar o mundo não significa ocupar o púlpito. Às vezes, significa abrir portas para que outros preguem, servir para que outros avancem e mobilizar para que a missão continue alcançando pessoas.
Selina Hastings fez isso em sua geração.
E a pergunta que sua vida nos deixa é simples: estamos usando aquilo que Deus colocou em nossas mãos para que mais pessoas conheçam a Cristo?
Afinal, quantos irão porque alguém decidiu mobilizar?
Silvana S. P. Martines