Os heróis esquecidos: quem enviou os missionários? (Parte 1)

Quando pensamos em missões, geralmente nos lembramos daqueles que foram. Lembramos dos missionários que atravessaram oceanos, aprenderam novos idiomas, enfrentaram perseguições, viveram longe da família e dedicaram suas vidas para que outras pessoas conhecessem a Cristo.

A história cristã está repleta desses exemplos. Homens e mulheres que deixaram tudo para obedecer ao chamado de Deus.

A história se lembra dos missionários que foram. Mas quem se lembra daqueles que os enviaram? Quem orou por eles? Quem levantou recursos? Quem mobilizou igrejas? Quem compartilhou a visão missionária? Quem permaneceu na retaguarda para que eles pudessem avançar?

Talvez a resposta nos faça perceber algo importante: a história de missões não foi construída apenas por aqueles que foram. Ela também foi construída por aqueles que enviaram!

A missão nunca foi uma obra solitária

Existe uma tendência natural de enxergar a missão através da figura do missionário que está na linha de frente. Afinal, são suas histórias que normalmente ouvimos nos congressos, cultos missionários e livros. Mas a Bíblia nos mostra que desde o início, Deus sempre trabalhou por meio de pessoas que cumpriam funções diferentes dentro do mesmo propósito. Enquanto alguns iam, outros sustentavam. Enquanto alguns pregavam, outros enviavam. Enquanto alguns estavam no campo, outros permaneciam em oração. A missão sempre foi uma obra coletiva.

Talvez por isso Paulo, ao escrever suas cartas, frequentemente agradecesse às igrejas que o apoiavam. Ele sabia que seu ministério não era fruto apenas de seu esforço pessoal. Havia uma rede de irmãos e irmãs participando daquela obra junto com ele. Porque antes do missionário enviado, existiu uma igreja enviadora!

Um dos exemplos mais claros disso está na igreja de Antioquia. Foi ali que o Espírito Santo separou Paulo e Barnabé para a obra missionária. Mas antes que eles partissem, a igreja orou, jejuou e os enviou. Costumamos lembrar das viagens missionárias de Paulo, mas sem uma igreja disposta a obedecer, apoiar e participar da missão, essas viagens talvez nunca tivessem acontecido. A igreja de Antioquia compreendeu algo fundamental: enviar também é fazer missões.

Nem todos foram chamados para a mesma função

Ao longo dos anos, muitos cristãos sinceros passaram a acreditar que o verdadeiro envolvimento missionário pertence apenas àqueles que deixam sua cidade, seu estado ou seu país para servir em outro lugar. Sem dúvida, aqueles que vão merecem nossa admiração, apoio e gratidão. Mas as Escrituras mostram que Deus distribui dons, ministérios e responsabilidades diferentes ao seu povo. Nem todos foram chamados para atravessar oceanos, mas todos foram chamados para participar da missão de alguma maneira. Alguns vão, outros sustentam, alguns pregam, outros mobilizam, alguns plantam igrejas, outros ajudam a tornar esse plantio possível, e todos participam da mesma obra.

Os nomes que a história quase esqueceu

Quando estudamos a história das missões, descobrimos algo interessante. Por trás de muitos dos missionários mais conhecidos existiam pessoas que raramente aparecem nos livros. Homens e mulheres que levantaram recursos, intercessores que sustentaram a obra durante décadas, líderes que despertaram igrejas para a visão missionária, mães que formaram futuros missionários, amigos que permaneceram firmes quando todos os outros desistiram. Pessoas que talvez nunca tenham pregado para multidões, mas que exerceram um papel indispensável para que o evangelho avançasse. A maioria delas nunca ficou conhecida, mas Deus conhece cada uma delas.

O que isso tem a ver com o promotor de missões?

Tudo. Talvez seja justamente por isso que muitos promotores de missões lutam contra a sensação de que seu trabalho é secundário. Mas a história de missões mostra outra realidade: por trás de quase todo missionário que marcou sua geração existiu alguém que o enviou.

Vivemos em uma época em que muitas igrejas reconhecem a importância do missionário, mas nem sempre percebem a importância da mobilização missionária. No entanto, cada missionário enviado existe porque alguém, em algum momento, ajudou a despertar uma igreja. Alguém compartilhou uma visão, alguém organizou uma campanha, alguém incentivou a oração, alguém ensinou sobre a responsabilidade missionária, alguém ajudou a conectar a igreja à missão de Deus.

A mobilização missionária não acontece por acaso. Ela acontece porque Deus levanta pessoas dispostas a manter essa chama acesa. Por isso, quando um promotor de missões mobiliza uma igreja, ele não está realizando uma tarefa secundária. Ele está participando de algo que acompanha a história da missão desde os tempos bíblicos.

Em alguns posts aqui no Blog, vamos conhecer alguns dos personagens mais importantes e, ao mesmo tempo, menos lembrados da história missionária. Pessoas que não ficaram conhecidas por atravessar oceanos, traduzir a Bíblia ou plantar igrejas em terras distantes, mas que tiveram participação decisiva para que tudo isso acontecesse.

Vamos descobrir histórias fascinantes como a de Andrew Fuller, o homem que segurou as cordas enquanto William Carey descia ao “poço” da Índia. Conheceremos também a história de Susannah Wesley, uma mãe que discipulou seus filhos e ajudou a formar líderes que impactaram multidões.

Cada um desses personagens nos ensinará uma lição importante: a missão sempre precisou de enviados e enviadores.

Vamos conhecer pessoas que seguraram as cordas enquanto outros desciam ao poço. Pessoas que permaneceram nos bastidores, mas sem as quais talvez nunca tivéssemos ouvido falar de muitos dos grandes missionários da história.

Porque a missão nunca foi feita apenas pelos que foram. Ela sempre foi feita pelos que foram e pelos que enviaram.

E talvez, quando chegarmos ao céu, descubramos que muitos heróis de missões foram aqueles que nunca atravessaram oceanos, mas ajudaram a tornar a travessia possível.

Afinal, quantos foram porque alguém ficou?

Silvana S. P. Martines

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