
Quando falamos sobre missões modernas, um dos primeiros nomes que nos vem à mente é o de William Carey. Conhecido como o “Pai das Missões Modernas”, ele deixou sua terra natal e partiu para a Índia, onde dedicou décadas de sua vida à proclamação do evangelho.
Mas existe uma pergunta que poucas pessoas fazem: como William Carey conseguiu permanecer no campo missionário durante tantos anos?
A resposta nos leva a um homem cujo nome raramente aparece nos livros de história missionária: Andrew Fuller.
Enquanto Carey foi para a Índia, Fuller permaneceu na Inglaterra. Enquanto um atravessava oceanos, o outro mobilizava igrejas. Enquanto um enfrentava os desafios do campo missionário, o outro trabalhava para que a obra continuasse sendo sustentada.
Os dois eram amigos e compartilhavam o mesmo sonho: ver o evangelho chegar aos povos que ainda não conheciam a Cristo. Em uma época em que poucas igrejas demonstravam interesse pela evangelização mundial, eles acreditavam que a Grande Comissão ainda precisava ser obedecida.
Em 1792, juntamente com outros pastores, participaram da criação da Sociedade Missionária Batista. Pouco tempo depois, Carey partiria para a Índia. Mas alguém precisaria ficar. Alguém precisaria visitar igrejas, despertar cristãos para missões, levantar recursos, compartilhar relatórios, incentivar a oração e manter viva a visão missionária. Esse alguém foi Andrew Fuller.
Uma frase famosa daquela época resume bem o que aconteceu. Antes de partir, Carey comparou a obra missionária a um homem descendo a um poço profundo. Mas, para que isso acontecesse, alguém precisaria segurar as cordas. Carey desceu ao poço. Fuller segurou as cordas!
Durante mais de vinte anos, Andrew Fuller dedicou sua vida a sustentar a obra missionária. Ele pregou, escreveu, mobilizou igrejas e levantou recursos para que missionários pudessem permanecer no campo. Talvez por isso sua história seja tão importante para nós hoje.
Vivemos em uma época em que os holofotes costumam estar voltados para quem está na linha de frente. E isso é natural. Devemos honrar e apoiar aqueles que dedicam suas vidas ao campo missionário. Mas a história de Carey nos lembra de algo precioso: por trás de quase todo missionário que marcou sua geração existiu alguém que o enviou. Sem Fuller, a história de Carey provavelmente teria sido muito diferente.
A verdade é que a missão nunca foi realizada apenas pelos que foram. Ela sempre foi realizada pelos que foram e pelos que enviaram.
É exatamente por isso que a história de Andrew Fuller fala tão fortemente ao coração dos promotores de missões.
Seu ministério era despertar igrejas, mobilizar pessoas, conectar cristãos à missão de Deus e manter a chama missionária acesa. Parece familiar?
Talvez muitos promotores nunca atravessem oceanos ou morem em outro país. Mas isso não significa que estejam fora da missão. Pelo contrário. Toda vez que uma igreja é despertada para missões, toda vez que um missionário recebe sustento, toda vez que alguém é enviado ao campo, existe alguém segurando as cordas.
Andrew Fuller nos lembra que Deus não usa apenas aqueles que vão. Ele também usa aqueles que enviam.
E talvez, quando chegarmos ao céu, descubramos que parte do fruto colhido por William Carey também pertence ao homem que permaneceu na Inglaterra segurando as cordas. Porque a missão sempre precisou dos dois: Dos que descem ao poço e dos que seguram as cordas!
E você? Está disposto a segurar as cordas para que outros possam ir?
Silvana S. P. Martines