Encenação Missionária – Ciganos

Durante o Acampamento Nacional de Promotores de Missões, no Rio de Janeiro, os participantes embarcaram em uma verdadeira viagem missionária pelo Brasil.

Logo no início, cada promotor recebeu um Passaporte Missionário (que você também encontra disponível aqui no Blog ABRIR ). A partir dele, iniciou uma jornada pelas oito ênfases da Campanha de Missões Nacionais.

Em cada barraca temática, os participantes encontraram encenações, ambientações e desafios que retratavam a realidade de um dos povos alcançados pela obra missionária. Mais do que conhecer informações, eles puderam sentir de perto os desafios, as necessidades e as oportunidades de anunciar Cristo em cada contexto.

Na barraca dos Ciganos, a encenação conduziu os participantes para dentro da rotina de uma família marcada pela dor, pela violência, pelo preconceito e pelas vozes de acusação que tantas vezes acompanham esse povo. Ao longo da apresentação, ficou evidente que, por trás dos estereótipos, existem pessoas que precisam ser vistas, ouvidas e alcançadas pelo amor de Cristo.

Nesta publicação, disponibilizamos a encenação apresentada na barraca dos Ciganos como sugestão para que você também possa adaptá-la e utilizá-la em cultos, Semanas Missionárias ou outros momentos da Campanha em sua igreja.

Que esta apresentação ajude sua igreja a olhar para o povo cigano com compaixão, a vencer preconceitos e a compreender que o evangelho tem poder para restaurar vidas, transformar famílias e revelar uma nova identidade àqueles que depositam sua esperança em Jesus.

Tema da ênfase: Para que povos muitas vezes invisíveis sejam alcançados.

 

QUEM ENXERGARÁ ESTE POVO?

Personagens

  • Cigana
  • Marido cigano
  • Sombra/Acusador
  • Missionária

CENA 1 — DENTRO DA BARRACA

A cigana está dentro da barraca, realizando tarefas domésticas. Ela varre o chão. A rotina parece simples e comum.

O marido entra. Seu telefone toca.

MARIDO: Alô?

Ele começa a conversar ao telefone. Está claramente negociando alguma coisa. Sua voz é tensa e agressiva.

MARIDO: Não. Eu já falei que não é esse valor! Você quer fazer negócio comigo ou não quer? Então resolve isso direito. Eu não vou ficar esperando!

Ele desliga o telefone irritado. Olha para a esposa.

MARIDO: Cadê a comida?

CIGANA: Calma. Já vai ficar pronta. Espera um pouquinho.

MARIDO: Esperar?

CIGANA: É só esperar mais um pouco.

MARIDO: E as crianças?

CIGANA: Estão dormindo.

MARIDO: Dormindo? E elas dormiram sem comer?

CIGANA: Elas vão acordar. Quando acordarem, vão comer.

MARIDO: Você não consegue fazer nada direito!

A cigana continua segurando a vassoura.

MARIDO: Eu chego em casa e nem comida pronta tem!

Ele toma a vassoura da mão dela e joga no chão. Silêncio. A cigana olha para a vassoura caída.

CENA 2 — AS VOZES

Nesse momento, a Sombra começa a se movimentar lentamente pela barraca. Ela não grita. Ela anda ao redor do casal. Aproxima-se da cigana e cochicha em seu ouvido.

CIGANA: Ninguém me ama…

A Sombra circula novamente.

CIGANA: Olha a minha vida… Eu não sou importante. Ninguém se importa comigo. Eu só sirvo para ser acusada. Ninguém confia em mim.
Eu nunca vou ter uma vida diferente.

A cigana coloca as mãos na cabeça.

CIGANA: Essa é a vida que eu mereço. Ninguém me ama. Eu estou sozinha. Não existe esperança.

A cigana começa a chorar.

CIGANA: Eu não aguento mais essas vozes na minha cabeça.

CIGANA: Que vida desgraçada é essa?

A Sombra permanece próxima.

CENA 3 — A MISSIONÁRIA

Ouve-se uma batida na porta.

MISSIONÁRIA: Dona cigana? Oi, dona cigana! Sou eu!

A cigana se levanta e vai até a porta. Quando vê a missionária, seu semblante muda.

CIGANA: Ah! Que bom que você veio!

Ela abraça a missionária.

CIGANA: Eu estava precisando tanto de você…

A missionária entra.

CIGANA: Senta aqui. Vou passar um café para você.

MISSIONÁRIA: Não precisa, minha querida. Eu vim só para te visitar mesmo.

A missionária se senta ao lado dela.

MISSIONÁRIA: Mas me conta… como você está?

A cigana hesita.

CIGANA: Eu não estou bem. As coisas não estão bem aqui em casa.

A missionária segura sua mão.

MISSIONÁRIA: Eu sinto muito. Mas eu quero te lembrar de uma coisa: você não está sozinha. Jesus vê você. Jesus conhece a sua dor.
E, mesmo no meio da tribulação, existe esperança.

CIGANA: Mas parece que eu não tenho mais esperança…

MISSIONÁRIA: É justamente por isso que você precisa conhecer cada vez mais Jesus. Jesus pode trazer paz mesmo quando tudo ao nosso redor parece estar desmoronando. Hoje à noite nós teremos culto. Vem comigo.

CIGANA: Eu vou. Eu estou precisando mesmo… Estou precisando receber uma oração.

CENA 4 — O CAMINHO

A missionária se despede e sai. A cigana fica sozinha. Ela começa a andar pela barraca.

CIGANA: Eu vou lá na igreja… Eu estou precisando mesmo. Vou lá receber uma oração.

A Sombra aparece novamente atrás dela. Enquanto a cigana caminha, a Sombra continua seguindo seus passos.

CENA 5 — NA IGREJA

A cigana chega à igreja. A missionária está ali. Ela se aproxima e fica ao lado da cigana. A Sombra permanece atrás dela. Entra a voz do pastor.

PASTOR — VOZ: Talvez hoje você tenha chegado aqui carregando dores que ninguém conhece. Talvez você esteja vivendo momentos de tribulação. Talvez você tenha ouvido muitas vozes dizendo que não existe esperança para você.

A Sombra se aproxima da cigana.

PASTOR — VOZ: Mas existe uma voz maior. A voz de Jesus. Jesus não ignora a sua dor. Jesus não despreza a sua história. Jesus oferece perdão, salvação, esperança e uma nova vida.

A cigana começa a chorar.

PASTOR — VOZ: Você pode continuar acreditando nas vozes que dizem que você não tem valor… Ou pode acreditar naquilo que Jesus diz sobre você. Você pode pertencer a Ele. Você pode ser chamada de filha de Deus. Hoje, Jesus está chamando você. Você quer entregar a sua vida a Ele?

A cigana abaixa a cabeça. Chora.

CIGANA: Eu quero.

CIGANA: Eu quero Jesus.

No momento em que ela diz isso, a Sombra para. A Sombra olha para ela e começa a recuar. A cigana permanece ao lado da missionária.

A Sombra sai.

CENA 6 — O CLAMOR

Alguém se dirige diretamente aos promotores de missões.

VOZ DO CHAMADO: Vocês viram o que aconteceu dentro dessa barraca? Vocês ouviram as vozes? Vocês viram a dor? Vocês viram a violência?  Vocês viram uma mulher que já não conseguia enxergar esperança? Isso não é apenas uma encenação. Existem famílias ciganas vivendo realidades como essa. Existem mulheres que sofrem violência. Existem famílias marcadas pela dor. Existem pessoas que carregam dentro de si anos de acusações, preconceitos e mentiras sobre quem são. Durante muito tempo, o povo cigano ouviu: “Vocês não são confiáveis.” “Vocês são enganadores.” “Vocês não têm valor.”

Pausa.

E quando uma mentira é repetida muitas vezes, ela começa a parecer verdade. Mas existe uma verdade que precisa chegar até esse povo. Jesus Cristo. Jesus pode dizer a eles quem eles realmente são. Jesus pode mostrar que eles não são definidos pelo preconceito. Jesus pode trazer esperança para dentro de uma casa marcada pela dor. Jesus pode transformar histórias. Jesus pode restaurar famílias. Jesus pode libertar.

Pausa.

Mas existe uma pergunta que precisa ser feita hoje. Quem vai levar Jesus até eles? Quem vai enxergar o povo cigano? Quem vai entrar nessa barraca? Quem vai ouvir a história antes de julgar? Quem vai amar esse povo? Quem vai orar? Quem vai enviar? Quem vai sustentar? Quem vai? Porque enquanto a igreja não enxerga… Enquanto a igreja permanece distante… Enquanto a igreja pensa que essa realidade não é problema seu… Há pessoas sofrendo. Há famílias precisando de esperança. Há vidas precisando ouvir que Jesus as ama. A igreja não pode continuar olhando de longe. Nós precisamos levar Jesus aos ciganos.

VOZ DO CHAMADO: O povo cigano precisa saber que também pode ser chamado de… filho de Deus. Quem irá?

FIM

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