
Hoje queremos compartilhar com você uma linda poesia enviada pelo irmão Mário Celso Rodrigues, escrita em linguagem regional, preservando a forma autêntica da fala do homem do campo. Mais do que um estilo, ela nos aproxima de uma realidade viva, onde a fé é praticada no cotidiano, entre o trabalho, a família e a dependência diária de Deus.
O irmão Mário, que há décadas caminha na fé na denominação Batista, é declamador de poesias clássicas e carrega uma história marcada pelo evangelho desde o lar, tendo sido criado em uma família de servos de Deus. Atualmente, é membro da Primeira Igreja Batista em Campina Grande (PB) e compartilha conosco este texto com muita simplicidade e amor pela obra do Senhor.
Na zona rural, em prosa com um lavrador que, encantado com a vida, narra seu dia a dia como um fiel servo do Senhor. Ao longo dos versos, percebemos algo que vai além de um simples dia na roça. Vemos a presença da missão, o valor do discipulado e os frutos que o evangelho produz ao longo do tempo.
Nem sempre a missão começa em grandes eventos. Muitas vezes, ela nasce em lugares simples, como uma casa no campo. A poesia retrata a vida de uma família comum, mas revela algo extraordinário: o agir de Deus formando, transformando e levantando pessoas. É assim que a obra missionária impacta vidas, alcança um coração, transforma uma família e, ao longo do tempo, muda gerações inteiras.
A poesia também nos conduz a enxergar a leveza da vida quando ela é vivida com Deus. Há uma alegria serena no cotidiano, um coração grato pelas coisas simples, pelo amanhecer, pelo trabalho, pela família e pelo pão de cada dia. É a alegria de quem conhece Jesus, que transforma o comum em motivo de louvor e enche de sentido até os dias mais simples.
A poesia está disponível em PDF e também em versão escrita na linguagem formal, para facilitar a leitura, caso necessário.
DESPERTAR NA ROÇA – MÁRIO CELSO PDF
Parabéns, querido irmão Mário! Que o Senhor continue te abençoando cada dia mais!
Se você deseja entrar em contato com o irmão Mário Celso Rodrigues para conhecer mais de suas poesias, segue o e-mail: mariocelsorodrigues71@gmail.com.
DESPERTAR NA ROÇA
Com os zóio inda turvo,
Esticando gostoso os osso;
Madrugada inda iscura.
Nu pulero o garnisé cantando
Disputando com u carijó,
As puedera si cumprimentando
Num cacarejá qui só.
Um poquim mais adiante
A malhada sorta um mugido,
Nu chiquero isfomiado reclama chico,
Nus gaio do abacateiro a confusão dos pardá
I nu pé di jatobá alegre canta u sabiá.
Eta dispertá, qui festa!
Num tem di qui reclama.
Num pulo sarto da cama
Marieta já num tava lá,
Muié isperta foi o café aprontá.
Pur entri as fresta da janela
O vermeião do sol vi despontá
Dei um glória a Deus, aleluia!
Qui dia bom pra trabaiá!
Nus passu ligero dum bom caipira
Na cuzinha dipressa quis chega,
Marieta bunita num vestido de chita;
Leite e café, biscoito di nata,
Do mio verdi a pamonha,
Tinha também bolo de fubá.
Nus dois ladu da mesa
Os banco pra si sentá.
“O Sinhô é meu pastô, nada mi fartará…”
O minino maió aprendeu a soletra,
Bunito é Marieta cantando
Os hinu que louva o Sinhô
E u piquenino repitindo – gólia, gólia Savadô!
U missionário chama Zélinu pra istudá…
Minha bela cumpanhera tem a casa pra cuidá.
U piqueno Tuninho, vivi pra traquiná;
Coloco a inxada nas costa.
O orvaio molhando a butina
A passo firme vô pra roça…
Tenho a famia pra sustenta.
É duro o trabaio no campu,
O mato qui tenho di roçá,
Aprontá a terra pra semiá,
Tem os animá pra cuidá…
Mas Deus dá uma força danada,
Fica leve o labutá,
E, nu final do dia a Deus quero louvá.
O sol tá bem no arto, istomagu roncandu,
Deve ser meio dia – pru rancho vou caminhando…
Nu meio du camim topei com Zélinu,
Minino isperto, decidido – qué sê pastô, veio falanu;
Ovindo suas história, no ranchu cheguei sonhando.
Tuninho, também, com o missionário iniciô a lê,
Prus mininu da fazenda diz que dotô vai sê…
O orvaio molhando a butina,
A passu firmi vô pra roça,
Vou meus corinho cantandu,
Cantandu o prazê que sinto.
É o coração du caipira
Lavadu pelo sangue de Cristo
I todo o dia renasci a felicidade – não minto!
Os ano si passaru – José Lino é pastor.
I na cidade grande, de Cristo anuncia o amor;
O missionáriu, pro instrangêro vortô,
Aprendeu a lê Marieta e outros ensina com dulçor.
O traquinas do Toninho – Dr. Antônio si torno,
Com carinho trata os infermo, aliviando a dor,
E, continua exartando – glória, glória ao Salvador!!!
Respostas de 7
Simplesmente linda a poesia! Parabéns, Mário! Que Deus continue inspirando o irmão. Obrigada por compartilhar conosco, Sil. ❤️
Amém! ❤️❤️
Que poesia linda e necessária! Nos dias que vivemos hoje onde há tanta violência. Ler em palavras tão simples e fortes,a vida de um missionário e um pai de família que em tudo dá graças e em tudo vê a mão do Senhor,acalenta o nosso coração ❤️.
É verdade, irmã Rutimar!
É fala que eu aprecio Sr. Mário Celso!
PARABÉNS!
Expressa a simplicidade e a transparência desse povo que tem “SEU VALOR”.
Eu também gosto de fazer versos, como esses do Sr. e de outros tipos.
Incrusivi, nessi momento cabei di iscuitar a irman Silvana, contando dessi BROG, numa aula du culso di missões qui mi iscrivi pra “PROMOTOR” .
Foi u qui num stalu, fez eu vim cá, modi confiri.
Muito bom rsrs Deus abençoe!
Muito linda . Gloria a Deus