Como manter acesa a chama missionária

Queridos promotores de missões, sou o pastor Jamerson, mobilizador no Nordeste, e é com muita alegria que me dirijo a vocês. Hoje conversaremos sobre a preservação do ardor da chama missionária, por isso, não quero falar de pastor para promotor, mas de missionário para missionário. Quero iniciar contando-lhes uma breve história de quando visitei a nova sede da JMN, em 2018, que ficou realmente muito linda, mas um detalhe me chamava muito a atenção.

As paredes internas da JMN são cobertas por poemas, fotos de vidas transformadas e fotos antigas de missionários no campo, de homens e mulheres que se doaram profundamente ao cumprimento da Missão. Muitos dos que estão naquelas fotos são anônimos, nunca terão seus nomes escritos em algum livro de história dos batistas, nem receberão nenhuma homenagem póstuma pelos serviços prestados na missão; no entanto, o fotógrafo conseguiu captar mais do que um momento em que estavam em ação, registrou o brilho nos olhos, o ardor no coração de uma geração que foi usada poderosamente pelo Senhor. Quantas daquelas fotos não poderiam ser usadas para ilustrar muitas das passagens do livro de Atos? Aquelas fotos contam a história dos Batistas Brasileiros. Nelas estão implícitas as perseguições, o sofrimento, a escassez, as lágrimas, as conquistas e as orações de uma geração inteira. Aquelas paredes nos fazem viajar no tempo.

É impossível concluir que nós somos os sucessores daqueles irmãos e não sentir o peso dessa responsabilidade. Mas precisamos refletir se ainda somos movidos pelo mesmo ardor que havia neles, e se temos gerado frutos como naquele tempo. Enquanto olhava aquelas fotos, no mesmo momento em que deseja ser como eles, eu era tomado por incertezas e por minhas próprias incapacidades. Naquele instante senti o Senhor falar profundamente ao meu coração: O que fará de você tão “gigante” quanto eles, ou não, será a medida do quanto você me ama, e ama as pessoas que eu amo.

Querido missionário promotor de missões, o mural das fotos na JMN retrata o amor que aquelas pessoas tinham por Jesus e o quanto elas amavam as pessoas que Jesus amava. Era a coisa mais importante de suas vidas, seus corações ardiam por falar de Cristo, eles sabiam que o futuro das pessoas dependia das Boas Novas que anunciavam. Era um mundo muito parecido com o nosso de hoje; violência, corrupção, fome, desespero, desesperança, incredulidade, entre outros males, desafiavam a sociedade, no entanto, o povo de Deus não parava de anunciar que Jesus Cristo era a Única Esperança, que não havia nenhum outro que poderia salvá-los de seus próprios pecados. Homens e mulheres simples que marcaram uma geração inteira com seu amor por Jesus e pelas pessoas. Eles dedicaram suas vidas para que muitas pessoas fossem a resposta da oração de Jesus em João 17. 20-21.

O apóstolo Paulo fala, em 1Ts 2. 8: “assim, devido ao grande afeto por vós, estávamos prontos a oferecer-vos não somente o evangelho de Deus, mas, igualmente, a própria vida; por isso que vos tornastes muito amados de nós.” Paulo inicia esse capítulo relembrando todos os percalços que enfrentaram para que o evangelho chegasse a Tessalônica, mas, no verso 8, ele deixa muito claro que tudo só foi possível porque eles amavam aquele povo. O amor era o combustível que movia os corações dos apóstolos, que moveu os corações dos batistas, décadas atrás, e que precisa mover os nossos corações nos dias atuais.

O missionário americano A. B Langston (1951), no Esboço de Teologia Sistemática, ensina que “o amor é mais que sentimento, é a atitude firme de dar-se ao ente amado, e de possuí-lo em íntima comunhão”. Ele continua: “no amor se combinam os impulsos de dar e possuir. O esforço de dar também é um esforço que se faz para revela-se o amor dedicado ao amado.”  Em Lc 7. 44-47, Jesus ensina que a mulher pecadora deu muito, porque amava muito, e como resultado ela obteve perdão e comunhão com o Senhor. Langston finaliza dizendo que: “a grandeza do amor revela-se naquilo que se oferece ao amado. A pureza do amor revela-se no desejo que é do bem-estar do amado. E o ardor do amor manifesta-se no esforço feito para possuir o amado. O amor não somente dá, mas quer possuir e viver pelo amado.” Portanto, um coração que arde por missões é um coração que ama. E um coração que ama, é um coração que se doa aos perdidos, com o desejo de tê-los na mais profunda comunhão, para que eles e nós sejamos um em Cristo, refletindo a Sua glória.

Caro promotor de missões, missionário dos batistas na igreja local, o amor – a dedicação, a entrega, a doação – a Jesus e às pessoas é o que manterá acesa a chama missionária ardendo nos corações. Dessa maneira, muitas pessoas serão contagiadas nesta, e nas próximas gerações. Minha oração é para que nós, missionários neste tempo, tenhamos corações semelhantes aos daqueles irmãos das fotos da JMN, corações que inspiram, cheios de humildade e submissos, corações não cheios de sentimentos passageiros, mas de uma firme atitude de dar-se aos perdidos revelando o amor de Deus, e possuí-los na mais profunda comunhão, tal como Cristo deseja. Com corações ardentes em amor anunciemos que Jesus é a Única Esperança.

Jamerson José da Silva
Missionário Mobilizador no Nordeste

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