
Essa talvez seja uma das dores mais silenciosas dentro do ministério de mobilização missionária. Muitos promotores de missões vivem anos carregando um questionamento dentro do coração: “Será que eu deveria ter ido? Será que fui fraco? Será que não tive coragem suficiente? Será que não estou no centro da vontade de Deus?”
Infelizmente, algumas frases acabam aprofundando ainda mais essa crise, como: “Você não precisa ser apenas um promotor de missões! Deus tem mais para a sua vida! Quando você vai para o campo? Você ainda vai largar tudo! O promotor é alguém que Deus chamou para o campo mas não foi por alguma razão!”
É como se ficar fosse sempre sinônimo de falta de fé, mobilização fosse um chamado menor, como se apenas quem atravessa oceanos ou larga tudo pudesse viver uma verdadeira vocação missionária.
Mas será mesmo?
Quando pensamos em missionários, normalmente imaginamos alguém vivendo em outra cultura, aprendendo outro idioma e pregando o evangelho em lugares distantes. E isso realmente é missão. É verdade que existem pessoas que desobedecem ao chamado de Deus para ir. Isso existe e sempre existirá.
Mas existe algo que muitos ainda não compreenderam profundamente: Deus também chama pessoas para permanecer despertando a igreja, porque a obra missionária é uma grande engrenagem. Existem aqueles que vão, aqueles que enviam, aqueles que sustentam, aqueles que oram e aqueles que Deus levanta para mobilizar toda a igreja a participar da missão.
Mas talvez o mais importante seja entender que essa engrenagem começa na igreja local. É nela que estão os vocacionados que serão enviados, os intercessores que sustentarão a obra em oração, os mantenedores que investirão no avanço do Reino. É nela que nascem chamados, despertamentos e vocações missionárias.
Por isso, a mobilização é uma grande batalha espiritual, porque quando a igreja esfria, toda a engrenagem missionária sofre. E, sem dúvida alguma, uma das estratégias mais eficazes do inimigo para enfraquecer essa mobilização é colocar no coração do vocacionado para mobilizar a ideia de que ele é apenas um missionário desobediente ou frustrado por não ter ido para o campo.
Quanto mais lenta a engrenagem missionária se torna, mais demorará para que o Evangelho seja pregado a todas as nações, como Jesus declarou em Mateus 24.14. O inimigo sabe exatamente onde trabalhar para tentar retardar esse avanço: enfraquecendo a igreja local, apagando a chama missionária e fazendo com que aqueles que foram chamados para despertar a igreja duvidem da própria vocação.
Mas, Deus tem levantado muitos vocacionados para a mobilização missionária em nossos dias, justamente porque a mobilização não está à margem da missão. Ela está no início dela. Antes de existirem missionários enviados, precisa existir uma igreja despertada. Antes de existir sustento, precisa existir consciência missionária. Antes de existirem obreiros nos campos, precisa existir uma igreja que enxergue os campos. Sem uma dessas partes, a engrenagem fica lenta!
O promotor de missões ocupa exatamente esse lugar. Ele é um elo. Um elo entre o campo e a igreja, entre a necessidade e a resposta, entre o clamor das nações e os ouvidos da igreja local.
Enquanto alguns atravessam fronteiras geográficas, o promotor atravessa barreiras espirituais dentro da própria igreja, como o comodismo, a indiferença, a distração e o esfriamento espiritual.
Talvez o promotor nunca apareça nas fotos do campo, nunca seja chamado de missionário por muitas pessoas, e trabalhe silenciosamente nos bastidores durante anos. Mas quantos missionários nasceram em um momento missionário preparado por um promotor? Quantos chamados foram confirmados? Quantas crianças aprenderam a amar missões? Quantas igrejas despertaram? Quantas ofertas foram levantadas? Quantos joelhos foram dobrados em oração? Quantos povos foram alcançados porque alguém manteve viva a chama missionária dentro da igreja local, seja ela grande ou pequena?
Durante todos esses anos na mobilização missionária, tenho recebido mensagens emocionadas de pessoas que passaram décadas acreditando que haviam desobedecido a Deus por não terem ido para o campo distante. Alguns choraram por anos achando que tinham falhado, que lhes faltou coragem, acreditando que eram missionários incompletos. Mas muitos começaram a entender que Deus chama pessoas para ir, e também chama pessoas para fazer a igreja ir.
Promotores não foram chamados para ocupar bancos confortáveis, mas para influenciar uma geração, para despertar vocações, para manter a igreja com os olhos erguidos, olhando para os campos, para lembrar ao povo de Deus que nós precisamos completar a missão e Jesus em breve voltará!
Ser promotor de missões não é um “plano B”, um castigo para os desobedientes, um prêmio de consolação, não é uma compensação para quem “não conseguiu ir” ou um ministério menor. É vocação!
Todo salvo foi chamado para fazer discípulos. Os missionários fazem discípulos nos campos. Os promotores fazem discípulos onde estão, enquanto despertam a igreja a participar da missão, e todos seguramos na mesma corda!
A obra missionária começa na igreja local e alcança os confins da terra. E Deus continua levantando pessoas para permanecer justamente no lugar onde a missão precisa começar: despertando a própria igreja.
Por isso, talvez a pergunta correta não seja: “Por que o promotor não foi?”, mas: “Quantos foram porque um promotor ficou?”
Deus abençoe seu ministério!
Silvana S. P. Martines
Respostas de 2
Eu louvo a Deus por essa visão que Ele tem dado a você, que o promotor não é um missionário frustrado, mas um vocacionado que Deus chamou pra ficar despertando a obra missionária na igreja local. Ter essa consciência tem ajudado tantos Promotores, assim como a mim. Obrigada por compartilhar conosco, o que Deus tem colocado em seu coração! ❤️
Amém!! ❤️🙏🙏🙏