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100 anos da Família Cowsert no Brasil

No fim do mês de janeiro de 1921, o casal Jack Jimmerson Cowsert e Grace Bagby Cowsert, junto a sua filha Helen Elizabeth Cowsert, chegou ao Rio de Janeiro. Eles foram nomeados e comissionados em 15 de julho de 1920 para serem missionários no Brasil por meio da Junta de Richmond, em inglês Foreign Mission Board, e hoje chamada International Mission Board (IMB), da Convenção Batista do Sul dos Estados Unidos. Após uma longa viagem vinda de Nova Iorque (EUA), eles iniciaram o que hoje celebramos: um grande legado missionário que até hoje abençoa o Brasil.

J. J. Cowsert, como ficou conhecido, foi Secretário Executivo da Convenção Batista do Distrito Federal, na época localizado na cidade do Rio de Janeiro, que hoje conhecemos como Convenção Batista Carioca, por vários anos na década de 20. Em relatório de 1925, quatro anos após sua chegada, o Distrito Federal tinha 18 igrejas organizadas e 27 congregações.

O missionário também foi responsável pela construção do Parque Gráfico da Casa Publicadora Batista no Rio de Janeiro, a conhecida JUERP, que até então era o maior parque gráfico da América Latina. Naquela época, a instituição produzia a literatura para a Escola Bíblica Dominical, a União de Treinamento, a União Feminina Missionária, a Mocidade Batista, e O Jornal Batista. Em 1934, enquanto Cowsert cuidava da área administrativa de O Jornal Batista, o número de exemplares desta publicação dobrou.

Junto com o missionário T. B. Stover, J. J. Cowsert desejava criar uma entidade para imprimir Bíblias no Brasil. Por causa da Segunda Guerra Mundial, as Bíblias em português que vinham da Europa e Estados Unidos não chegavam mais ao Brasil. Então, em 1942, foi organizada a Imprensa Bíblica Brasileira (IBB), a primeira a imprimir Bíblias no território nacional.

Em 1956, a IBB já tinha alcançado a marca de meio milhão de Bíblias impressas. Cowsert dirigiu o parque gráfico até 1960 e, neste período, produziu mais de um milhão de Bíblias, o que nas palavras dele o fazia um verdadeiro milionário pela quantidade de Bíblias produzidas. Em reconhecimento ao seu trabalho, a Prefeitura do Rio de Janeiro deu à rua ao lado da antiga JUERP, no bairro de Tomás Coelho, o nome de Rua J. J. Cowsert.

Durante os 40 anos que passou no Brasil, Cowsert pastoreou igrejas, entre elas a Quarta Igreja Batista do Rio de Janeiro, hoje, na Praça da Bandeira (RJ); a Igreja Batista de Tomás Coelho, hoje, Igreja Batista da Redenção (RJ) e também a Primeira Igreja Batista de Belford Roxo, na Baixada Fluminense (RJ). Ele ainda fazia clínicas de treinamento para professores de Escola Bíblica Dominical, com o alvo de melhorar a instrução bíblica nas igrejas.

Enquanto J. J. Cowsert marcava a história da publicação cristã no Brasil, sua esposa, a missionária Grace, também traçava sua história como obreira. Como ficou conhecida no Brasil, Graça foi professora de música no Colégio Batista Shepard e foi uma das idealizadoras do Instituto de Treinamento Cristão para Moças (ITC), que depois se tornou o Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER) e agora é o Centro Integrado de Educação e Missões (CIEM).

Graça, que era prima do primeiro missionário ao Brasil, William B. Bagby, sempre foi envolvida na área de música das igrejas tocando órgão, piano e regendo os corais no Rio de Janeiro. Ela foi a primeira missionária americana a traduzir e publicar partituras de diversos hinos e canções infantis para o português, era professora de Escola Bíblica Dominical e também foi diretora da União Feminina Missionária.

Durante o tempo no Brasil, a família Cowsert cresceu com o nascimento de mais dois filhos: Esther Ruth, que nasceu em 1922, e George Bagby, em 1924. E, depois de 40 anos, o casal se aposentou do Brasil no dia 30 de setembro de 1960, depois do histórico congresso da Aliança Batista Mundial no Rio de Janeiro.

O legado missionário da família Cowsert no Brasil continuou por meio do filho mais novo dos pioneiros, George Bagby Cowsert. Ele foi criado no Rio de Janeiro, onde nasceu, e estudou no Colégio Batista Shepard na Tijuca. Na juventude, foi para os Estados Unidos onde fez a sua graduação na Wake Forrest College, no estado da Carolina do Norte, e, em seguida, foi fazer seminário no Texas. Enquanto seminarista, conheceu aquela que seria a sua esposa, Hilda Kathryn Bean. Depois dos dois terminarem o seu preparo ministerial, foram nomeados missionários da Junta de Richmond para o Brasil em 10 de julho de 1952.

O casal morou em Campinas (SP), quando George pastoreou e liderou a construção dos templos da Igreja Batista de Vila Arenas em Jundiaí e a Igreja Batista em Ouro Fino, Minas Gerais, enquanto Hilda aprendia o português. Eles mudaram-se para Santa Maria (RS), para trabalhar no Acampamento Batista Estadual e depois foram para o Rio Grande (RS), onde George foi usado para trazer reconciliação a uma igreja que se dividiu três vezes e também liderou a Segunda Igreja Batista em Pelotas (RS). Neste tempo, George foi eleito Secretário Executivo da Convenção Batista Gaúcha e eles mudaram-se para Porto Alegre (RS), onde ele também pastoreou a Igreja Batista Gaúcha e Hilda atuou na liderança da União Feminina Missionária da Convenção Gaúcha e foi professora do Colégio Batista em Porto Alegre. Neste período no Rio Grande do Sul o casal teve os seus quatro filhos: Naomi, Norma, Elena e Jack.

Em 1965, a Junta de Richmond muito se preocupou com as divisões que estavam acontecendo promovido pelo movimento da “renovação espiritual” no meio das igrejas Batistas do Brasil, então eles mudaram-se para Goiânia (GO), onde o missionário pastoreou em Jardim Novo Mundo, Vila Redenção, Goiabeiras e Itumbiara, além de ter fundado a igreja em Nova Canaã. Ainda em Goiás, George dirigiu o Acampamento Batista do Estado, foi o Secretário Executivo da Convenção Batista do estado por vários anos e atuou em várias comissões da Convenção Batista Brasileira, incluindo o Conselho Executivo da Convenção Batista Brasileira. Hilda também atuou no Conselho Executivo nos anos seguintes e como diretora da União Feminina Missionária em Goiás, Hilda também serviu no Conselho Executivo da UFMBB.

E, em 1977, George e Hilda mudaram-se para Vitória (ES), onde ajudaram a plantar o Seminário Batista (SETEBES) e foram professores desta casa. Ele atuou como diretor do Departamento de Educação Cristã da CBEES, pastor interino da igreja em Monte Sinai e também como diretor do Acampamento Batista Estadual e ela, mais uma vez, como diretora da União Feminina Missionária do estado.

George Cowsert faleceu ainda atuando no campo missionário, no dia 6 de junho de 1986, mas Hilda continuou sua trajetória no Brasil. Ela foi autora de vários artigos para revistas da União Feminina Missionária Batista Brasileira e do livro Contando História. Após o falecimento de seu marido, Hilda mudou-se para o Rio de Janeiro, onde ela morou no prédio que tem o nome de seu sogro J.J. Cowsert no campus do CIEM e trabalhou como Secretária de Promoções da UFMBB. Ela inovou a sede da instituição, ao conseguir a doação de oito computadores, transformando-a na primeira instituição da Convenção Batista Brasileira a ser computadorizada. Ela se aposentou em outubro de 1993, após 41 anos de serviço ao nosso Senhor em solo brasileiro.

O legado de 100 anos da família Cowsert no Brasil hoje se mantém vivo por meio da filha do casal, Elena Cowsert, que faz parte da terceira geração. Criada no Rio Grande do Sul e em Goiás, ela foi para os Estados Unidos cursar a faculdade com 18 anos de idade.

A família de Elena já era próxima de uma outra família missionária que atuava no Rio de Janeiro, também por meio da Junta de Richmond, a família de Jerry e Joana Key. Um dos filhos do casal Key, Michael Jay, casou-se com uma das filhas do casal Cowsert, Naomi Grace, no templo da Primeira Igreja Batista de Goiânia, em 1977. Em 1976, Elena Cowsert começou a namorar o outro filho da família Key, Jonathan Guy. O jovem, que passou a sua infância e adolescência no Rio de Janeiro, era aluno universitário no estado de Arkansas, enquanto Elena cursava a faculdade no estado da Carolina do Norte e, poucos anos depois, os dois completaram as suas graduações na Universidade Batista de Ouachita e casaram-se no dia 30 de junho de 1979.

O casal mudou-se para o Texas, onde estudou no Southwestern Seminary, mesma instituição em que os pais de ambos e os avós de Elena estudaram. Guy pastoreou uma igreja em Little Rock e depois na cidade de Greenville e Elena foi professora do Ensino Fundamental. Após o término dos seus estudos ministeriais, eles foram nomeados missionários e enviados para o Brasil, no dia 6 de julho de 1984, pela junta que hoje se chama International Mission Board (IMB).

Seu primeiro campo missionário foi o Litoral Paulista, de Ubatuba no Norte à Peruíbe no Sul, enquanto moraram na cidade de Santos. Pr. Guy foi diretor da Associação Batista do Litoral Paulista, onde deu ênfase à plantação de novas igrejas. Elena atuou na Primeira Igreja Batista de Santos e na Igreja Batista do Marapé. Foi um tempo de expansão! Quando o casal chegou a Santos a associação contava com 32 igrejas e, atualmente, são duas associações no Litoral Paulista com um total de 77 igrejas. Ainda na região, Pr. Guy Key pastoreou a Igreja Batista do Marapé, foi pastor interino da Primeira Igreja Batista de Cubatão e do Centenário, e ainda plantou, junto a Elena, a Igreja Batista da Orla.

De Santos, o casal foi convidado pela Convenção Batista para coordenar a área de Evangelismo e Missões de todo o estado de São Paulo. Isso aconteceu durante um tempo de ênfase na plantação de novas igrejas, chamado Projeto de Adensamento. Durante os dez anos deste projeto, o estado de São Paulo cresceu de 470 para mais de 800 igrejas. O casal mudou-se para Campinas e Pr. Guy viajava pelo estado por causa dos trabalhos convencionais, dirigindo as atuações de Missões Estaduais, função esta que incluía a plantação de novos trabalhos como o ministério universitário, por exemplo, enquanto Elena era Ministra de Música da Igreja Batista do Bonfim e professora de coros graduados na Faculdade Teológica de São Paulo. Neste período, o casal contava com três filhos: Jonathan, Cristina e Vanessa.

Em 1998, a convite da Convenção Batista Carioca, a família mudou-se para o Rio de Janeiro para atuar na área de plantação de novas igrejas, especificamente, na Zona Sul da cidade. A família plantou a Igreja Batista Orla Sul e, em seguida, Pr. Guy e Elena participaram da plantação da Igreja Batista Orla Rio.

Desde o fim do século 20, Pr. Guy tem dado treinamento na área de plantação de novas igrejas com o foco de “igrejas saudáveis” em todos as regiões do Brasil. A partir destes treinamentos, eles têm conhecimento de mais de 200 novas igrejas plantadas no território nacional e algumas além-fronteiras.

Em 2001, Guy e Elena coordenaram a vinda ao Brasil do Pr. Rick Warren, pastor da Igreja de Saddleback, na Califórnia (EUA), uma das maiores igrejas batistas do mundo. Este evento ocorreu no Riocentro com a participação de 2.600 líderes, representando 300 denominações e todos os estados do Brasil. A programação abriu muitas portas para o casal falar nas igrejas e expandir a influência de plantar igrejas saudáveis.

Já em 2012, o casal foi convidado pela IMB para um trabalho novo e diferente: ajudar a Convenção Batista Brasileira através de suas juntas missionárias na mobilização missionária. Guy e Elena se tornaram grandes aliados e parceiros do Pr. João Marcos Barreto, líder da Junta de Missões Mundiais, e do Pr. Fernando Brandão, líder da Junta de Missões Nacionais. Hoje, Guy é o representante da IMB no Conselho Geral da CBB e o casal tem um ministério de mentoria com missionários brasileiros e trabalha com candidatos brasileiros em potencial para a obra missionária no Brasil e no contexto transcultural.

Guy e Elena Cowsert Key têm o lema de “procurar onde Deus está trabalhando e se juntar a Ele”. Eles continuam até hoje trabalhando com plantadores de novas igrejas, incentivando e encorajando estes a cumprirem a Grande Comissão encontrada em Mateus 28:19-20. Completando a terceira geração da família Cowsert no Brasil, o casal continua firme no cumprimento do ministério que Deus colocou diante deles no Brasil.