A igreja local, a Missio Dei e as agências missionárias

Há consenso, entre os missiólogos, que somente a partir do século XVI a palavra “missão” passou a ser usada em referência ao que a Igreja faz; antes, era entendida como a ação de Deus no mundo, e que a Igreja fazia parte dessa ação, não tendo ela própria uma missão. É certo que esse entendimento, por mais correto que esteja, levou a uma estagnação ou ao conceito de missões coloniais, até a “reforma” das missões modernas iniciadas por William Carey.

Biblicamente, como em Atos 13, Deus tem uma missão no mundo (Missio Dei) e, para executá-la, dá à Igreja uma Missão. Gosto de pensar nesse plano de Deus a partir do seu objetivo final:

O final e o objetivo A Igreja como executora do Plano A tentativa frustrada: Israel A humanidade após a queda A queda: a escolha possível A criação

1Co 15.24-28,

Ef 3.10

Mt 28.18-20,

At 1.8

Ex 19.5-6,

Dt 6.7

Gn 6, Gn 11 Gn 3 Ec 4, Gn 1, Ef 3.10, Ap 13.8
Submissão voluntária
A escolha em amar o que não vê
A estratégia é sempre a multiplicação da submissão individual, não de estruturas. Amostras da não submissão. A escolha em não amar o que vê

Mas, se é Deus quem está em Missão, e se a Igreja deve alinhar sua missão à Missio Dei, por que fazer missões através de Juntas e campanhas missionárias?

A primeira campanha foi a de assistência aos santos, e é referida em 2 Coríntios 8. Tinha o objetivo de ajudar os crentes da Judeia em um período de crise: cristãos de todo o mundo ajudando os de uma única parte.

O exemplo dos macedônios, que insistiram em participar, é impactante. Diferente dos macedônios, e por vários motivos, muitos ainda fazem a pergunta: por que fazer campanha missionária? Essa pergunta, geralmente, vem acompanhada de outras: Por que não fazemos missões sozinhos? Por que não investimos aqui perto? Por que não atendemos nossas necessidades primeiro? Com todo o respeito, essas perguntas são egoístas e ingratas. Se os crentes do passado tivessem feito os mesmos questionamentos e desistido de enviar missionários, nós não conheceríamos Jesus, hoje.

Mas, então, por que fazer missões através de Juntas e campanhas missionárias? Porque a propagação do evangelho não é igual em todas as regiões do mundo. No Brasil, por exemplo, estatisticamente, temos uma igreja para cada 900 pessoas, mas isso é só estatística. Na verdade, temos regiões inteiras sem nenhuma igreja evangélica. No sertão nordestino, por exemplo, 12 milhões de pessoas nunca ouviram falar de Cristo de forma intencional.

Todas essas regiões não alcançadas, sejam bairros, cidades ou países, só serão atingidas se os que já conhecem a verdade enviarem missionários e investirem na plantação de igrejas, como um dia alguém fez conosco.

As campanhas missionárias tentam equalizar isso e evangelizar toda a região que for enfatizada, não só com a evangelização em si, mas também com outras ações, como a construção de templos e obras sociais (a campanha de 2 Coríntios 8). Algumas regiões já estão mais desenvolvidas, em termos de alcance, e menos necessitadas de ajuda para missões diretamente, mas ainda assim precisam de ajuda para outras formas de alcance da Palavra, como obras sociais (a exemplo dos projetos Cristolândia).

Campanhas missionárias unem todas as igrejas num mesmo objetivo: cumprir a Missio Dei através da Igreja Local.

Pr. Milton Monte
Gerente Executivo de Comunicação e Mobilização

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