“Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele”. Jo.3:17. Eis aí a missão do Filho de Deus. Em obediência ao Pai e em fidelidade à missão recebida, cumpriu à risca todas as etapas deste plano eterno de salvação. Encarnou, isto é, tornou-se homem, nascendo de uma mulher; viveu como viviam os homens, mas sem pecado; experimentou o cansaço, a fadiga; sentiu fome e sede, como qualquer ser humano; sofreu a dor e passou pela morte. Tudo isto para cumprir uma missão recebida do Pai. Porém esta missão não se extenuaria com sua ressurreição e ascensão aos céus. Ela haveria de continuar. Para tanto ele investiu em homens, que durante três anos conviveram com ele, dele aprendendo, e recebendo capacitação espiritual para divulgarem entre os homens a sua mensagem salvadora. De sorte que a igreja foi formada para continuar uma obra iniciada pelo próprio Jesus. Desta forma, entende-se que não foi criada uma missão para a Igreja, mas a Igreja foi criada para uma missão. Em assim sendo, a evangelização do mundo é a missão precípua da Igreja. E se assim o é, entendo que toda atividade da Igreja deve ter como propósito central a salvação do pecador. Inclusive a sua arrecadação. Não concebo nem entendo que à missão precípua da igreja não se dê, por alguns de nós, a devida relevância que ela tem. Relevância esta medida pelos percentuais a ela dedicados. Pensemos: Nossas igrejas, vez por outra abraçam projetos grandiosos que exigem muito de nós. Como por exemplo, construção de templos. Aí nos desdobramos, nos aplicamos com denodo e carinho. Entretanto, quando o assunto é missões, nem sempre temos o mesmo ardor e o mesmo empenho. Não vejo, no Novo Testamento, nenhuma orientação divina, determinando a construção de templos. Mas vejo o Novo Testamento repleto da ordem divina para proclamarmos a mensagem do Evangelho. Para a construção dos nossos templos fazemos de tudo: ofertas, cantinas, bazares, almoços… enfim, uma série de coisas. Mas quando o assunto é missões, esbarramos em alguma dificuldade, pois há sempre alguém que alegue que a igreja está fazendo negócio. Estaria a Igreja errada, quando se empenha, procurando aumentar o valor da sua oferta, através da venda de objetos ou almoços, ou feiras ou outras coisas do gênero? Olhando para a parábola dos talentos, sou levado a entender que não cometemos nenhum sacrilégio, nem fazemos comércio quando o fim é arrecadar para a obra missionária.

Vejamos a parábola: Mt.25:14-30.

Na parábola Jesus está falando do reino dos céus. (Mt.25:1) Um homem, possuidor de muitos bens, tendo que se ausentar do seu país, confiou aos seus servos os seus bens. No texto, Jesus cita tres servos que foram contemplados com os talentos do seu senhor: Oito, no total. Um recebeu cinco, outro dois e o outro três. Vale observar que os talentos não pertenciam aos servos, mas ao seu senhor. (14) No versículo 16, Jesus diz que o que recebera cinco saiu, imediatamente, a negociar com eles e ganhou mais cinco. E da mesma forma o que recebera dois talentos. Notamos algumas qualidades nestes servos:

  1. Interesse por aquilo que pertencia ao seu senhor. Não foi lhes dada nenhuma ordem, nem tão pouco o seu senhor lhes dissera que pretendia receber mais do que lhes confiou. Partiu deles a iniciativa de aumentar os talentos recebidos. E Jesus está falando de bens materiais.
  2. Tinham urgência em aplicar os talentos recebidos, pois a parábola diz que saíram imediatamente. Não podiam perder tempo. Os talentos guardados ou parados era prejuízo para o seu senhor.
  3. Iniciativa. Quem sabe, fizeram pesquisas, sondaram mercado, para usar os talentos que estavam em suas mãos. E a finalidade era uma só: Lucro. Eles queriam devolver para seu senhor mais dos que receberam. O lucro não era para aumentar o cabedal pessoal de cada um. Mas para devolver para seu senhor. O episódio da porta do templo, quando Jesus expulsou cambistas e comerciantes que faziam negócios, o lucro não visava o reino de Deus, mas seus bens particulares.

Já o terceiro servo que recebera um talento, guardou-o, em toda a segurança, para devolvê-lo, intacto, ao seu senhor. Parece-nos, à primeira vista, um homem altamente responsável e honesto. Ele não quis correr risco. Não quis se aventurar. E não quis trabalho também. Reteve consigo o que recebera, guardado a sete chaves e ficou aguardando o retorno do seu senhor. Notamos nele algumas virtudes: Era honesto e responsável. Acreditava, piamente, no seu senhor.

E a história nos diz que os dois primeiros foram chamados de servos bons e fiéis, recebendo do seu senhor a declaração de que foram fiéis no pouco e por isso seriam agraciados com o muito. E ainda foram convidados a entrarem no gozo do seu senhor.

Já o que recebera um, foi severamente censurado pelo seu senhor, criticando-o por ter sido medroso, mau e negligente, pois mesmo sabendo que seu senhor podia ceifar onde não plantara, seus medos haviam tolhido as suas ações. Resultado: O talento lhe foi tirado e dado àquele que já tinha dez.

Não nos inspira isto, a duplicarmos o pouco que temos para a maior, a mais preciosa ou única missão da Igreja?

Pr. Gilson da Hora Silva – PIB de Buritama/SP.

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Vender coisas para ajudar no alvo de missões é fazer comércio dentro do templo?
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2 ideias sobre “Vender coisas para ajudar no alvo de missões é fazer comércio dentro do templo?

  • 23/05/2021 em 19:34
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    “Vender coisas para ajudar no alvo de missões é fazer comércio dentro da igreja?”

    Vender coisas para ajudar no alvo é muito valioso. Cresci neste contexto e essa discussão é desde então.
    Alguns irmãos que cresceram comigo, hoje lideres, não aceitam, nas Igrejas que fazem parte.
    As cantinas, artesanatos, sacola voadoras e até horto e frutas fazíamos. Era uma festa. Irmãos deixavam de ir para o mercado para contribuir com Missões na feira da Igreja. Hoje, os irmãos deixam os Restaurantes de fim de semana e almoçam na Igreja, contribuindo assim com o alvo de Missões. Pode até ser comercio, talvez seja. Mas um comercio de multiplicação de talentos. Talento de quem doa os ingredientes, de quem prepara, de quem serve a Igreja com muito carinho, e comunhão . Lembrando que também nestes encontros, acontece a Educação Missionária. Quantos irmãos aprendem sobre Missões enquanto almoça sentado ao lado de um outro irmão. Os Promotores vão de mesa em mesa e ai acontece a Educação Missionária e descoberta de vocacionados.
    “Creio que se fosse só comercio sem glorificação do nome de Jesus, Deus nem iria deixar fazer. Penso. rsrsr
    Que o Senhor de Missões a cada dia nos dê sabedoria, criatividade, capacita-nos como filhos Educadores em Missoes. Assim seja.

    Resposta
  • 23/05/2021 em 19:34
    Permalink

    “Vender coisas para ajudar no alvo de missões é fazer comércio dentro da igreja?”

    Vender coisas para ajudar no alvo é muito valioso. Cresci neste contexto e essa discussão é desde então.
    Alguns irmãos que cresceram comigo, hoje lideres, não aceitam, nas Igrejas que fazem parte.
    As cantinas, artesanatos, sacola voadoras e até horto e frutas fazíamos. Era uma festa. Irmãos deixavam de ir para o mercado para contribuir com Missões na feira da Igreja. Hoje, os irmãos deixam os Restaurantes de fim de semana e almoçam na Igreja, contribuindo assim com o alvo de Missões. Pode até ser comercio, talvez seja. Mas um comercio de multiplicação de talentos. Talento de quem doa os ingredientes, de quem prepara, de quem serve a Igreja com muito carinho, e comunhão . Lembrando que também nestes encontros, acontece a Educação Missionária. Quantos irmãos aprendem sobre Missões enquanto almoça sentado ao lado de um outro irmão. Os Promotores vão de mesa em mesa e ai acontece a Educação Missionária e descoberta de vocacionados.
    “Creio que se fosse só comercio sem glorificação do nome de Jesus, Deus nem iria deixar fazer. Penso. rsrsr
    Que o Senhor de Missões a cada dia nos dê sabedoria, criatividade, capacita-nos como filhos Educadores em Missoes. Assim seja.

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